Todos queremos que os filhos saiam da escola com boas notas. Mas, na vida adulta, não é só isso que conta. Saber gerir dinheiro, lidar com adversidades ou comunicar de forma clara pode fazer toda a diferença.
O que muitos jovens ainda não sabem quando chegam aos 18+
Independência tardia: Em Portugal, cerca de 95% dos jovens entre os 15 e os 24 anos ainda vivem com os pais. Há duas décadas esse valor era mais baixo (~86%), o que mostra que a autonomia está a adiar-se por vários fatores.
Deficit de qualificações nos adultos mais velhos: 75,2% dos jovens adultos portugueses de entre 25–34 anos têm, pelo menos, o ensino secundário completo. Já entre os 35–64 anos, menos da metade completou esse nível.
Competências práticas em risco: O Inquérito às Competências dos Adultos 2023 da OCDE mostra que os portugueses entre os 16-24 anos têm pontuações abaixo da média da OCDE em literacia, numeracia e resolução de problemas adaptativos.
Emprego e desafios pessoais: Muitos jovens sentem que não vêm nas escolas as competências de vida necessárias para negociar, gerir o orçamento ou assumir responsabilidade real nos seus projetos pessoais e profissionais. (Embora não haja estatística exata para isso, surge em diversos inquéritos como aspiração e preocupação percebida entre a juventude).
Porque é que isto importa tanto
Estas lacunas têm impactos concretos:
Dificuldade para sair da casa dos pais, ganhando autonomia.
Risco de desemprego ou emprego precário, sem ferramentas para negociar contratos ou avaliar opções.
Sobrecarga emocional, por se sentirem despreparados para lidar com falhas ou incertezas.
Menos confiança nas decisões pessoais: escolher uma carreira, gerir finanças, decidir viver fora, tudo isto exige competências que nem sempre se desenvolvem no sistema escolar.
O que os pais podem começar a fazer já
Aqui vão ideias práticas para tu aplicares já:
Introduzir responsabilidades cedo: cada filho pode ajudar nas finanças domésticas, gerir uma mesada, ou acompanhar contas simples.
Conversar abertamente sobre futuro: escolher curso ou carreira não é só “o que te dá jeito”, mas onde ele se vê daqui a 5-10 anos.
Simular situações reais: por exemplo, fazer um orçamento mensal fictício ou real, calcular quanto custa morar sozinho, como gerir transporte, alimentação, etc.
Estimular o erro como aprendizagem: se falha, não punir, mas refletir: o que se aprendeu? O que faria diferente?
Modelar pelo exemplo: pais também podem partilhar as suas próprias falhas, escolhas, planos e como aprenderam.